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25abr MC

Celebração cultural à varanda dos Paços do Concelho foi o momento alto das comemorações

Apesar da situação de confinamento fruto do estado de emergência, a Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares não quis deixar de celebrar e assinalar os valores de Abril, tendo preparado um programa para comemorar os 46 anos do Dia da Liberdade com a dignidade que a data exige.

Assim, o Município preparou uma transmissão a partir do Salão Nobre dos Paços do Concelho para as suas plataformas digitais em dois momentos distintos, iniciando de manhã com uma cerimónia restrita aos Presidentes da Câmara e Assembleia Municipal, e representantes das três forças políticas com assento neste órgão, que dirigiram uma mensagem a todos quantos acompanharam a emissão online.

Face à impossibilidade de promover um espetáculo de ‘portas abertas’ ao público que permitisse evocar a efeméride, a Câmara Municipal, em colaboração com a Companhia de Teatro Experimental de Poiares (CTEP), preparou um momento cultural singelo, mas pleno de simbolismo, abrindo as portas dos Paços do Concelho ao mundo, pelas plataformas digitais, associando-se assim ao movimento que um pouco por todo o país trouxe os portugueses às janelas e varandas para relembrar Abril.

Pelas 15h00 em ponto, os atores Vítor Freitas e Luís Lino da CTEP assomaram à varanda do Salão Nobre onde, empunhando cada um o símbolo da Revolução de Abril, o cravo, leram o poema Abril de Abril, de Manuel Alegre, após o qual surgiu também o técnico do Município da área da Cultura, Gabriel Matos, para que juntos interpretassem um dos maiores hinos da Revolução de Abril, o tema de Zeca Afonso, Grândola Vila Morena.

 

João Miguel Henriques: «Mais do que nunca, temos de pôr em prática os valores de Abril»

No que concerne à cerimónia propriamente dita, o primeiro a usar da palavra foi o Presidente da Câmara Municipal, João Miguel Henriques, que afirmou «que comemorar o 25 de Abril, independentemente da forma como o fazemos, será sempre um ato de grande respeito por todos quantos se empenharam com a sua própria vida, para que hoje, possamos viver em democracia, em liberdade e com maior justiça social e igualdade de oportunidades.»

João Miguel Henriques destacou «o papel e importância do Serviço Nacional de Saúde, outra das grandes conquistas de Abril, ‘o mais belo poema de António Arnaut’», como o próprio o tinha classificado, e que nos dias de hoje se afigura como «um autêntico ‘quartel-general’ das nossas tropas - médicos, enfermeiros, bombeiros, como também as forças de seguranças, proteção civil e tantos e tantos outros que estão na linha da frente desta guerra contra este inimigo invisível e que atinge a todos por igual – mulheres e homens que nos enchem a todos de um enorme orgulho».

A fechar o seu discurso, o Presidente da Câmara Municipal, aludiu ao futuro e à necessidade de termos que «voltar a trabalhar, a produzir, criar emprego e riqueza, mas, simultaneamente, de não descurar as medidas de segurança para nos protegermos, a nós e aos outros, nesta guerra inesperada para a qual nenhum de nós estava preparado», reiterando que «agora, mais do que nunca, temos que ser solidários e pôr em prática os verdadeiros valores de Abril».

«Em conjunto vamos saber ultrapassar todas as dificuldades e encontrar o caminho mais rápido para a recuperação da normalidade das nossas vidas» concluiu João Miguel Henriques.

 

José Guilherme Feteira: «Pilares de Abril saíram reforçados»

O segundo a usar da palavra foi José Guilherme Feteira, deputado do Partido Socialista na Assembleia Municipal, que reforçou a ideia de que que «mesmo em tempo de confinamento e isolamento social, este é um abril de esperança», sentimento alicerçado na convicção de que «a comunidade está mais unida, solidária, e atenta às necessidades daqueles que nos rodeiam».

O deputado socialista referiu também que cabe às «diferentes instituições e cada um de nós - participando civicamente na vida da comunidade – a função de garantir que se cumprem os valores tão caros a abril de promoção da dignidade e justiça social».

Aludindo à capacidade de resposta de diferentes setores como o Serviço Nacional de Saúde, o sistema educativo, a segurança social e a sustentabilidade ambiental, referiu acreditar que «a situação de pandemia levará a que sejam reforçados os pilares de Abril», terminando com uma mensagem de solidariedade, agradecimento e reconhecimento a todos os poiarenses que continuam a empenhar-se todos os dias nas suas profissões.

 

Marta Neves: «Hora de trabalharmos juntos na proteção da nossa terra e das nossas gentes»

A deputada do PSD na Assembleia Municipal, Marta Neves, enalteceu o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Governo, alertando, no entanto, para os «efeitos económicos e sociais», para os quais «não me parece que os apoios sejam de correspondente eficácia e celeridade».

Reforçado a premissa de que «cabe a todos e a cada um de nós, responsáveis políticos locais, diagnosticar, as carências no nosso Município, colmatar falhas e, assim, minimizar o impacto desta pandemia na vida de todos os Poiarenses», a deputada social-democrata considerou que «é primordial assegurar a capacidade de intervenção do sistema político para dar respostas aos problemas e dificuldades, na antecipação de desafios, na proximidade aos poiarenses».

Marta Neves concluiu referindo que «é hora de trabalharmos juntos na proteção da nossa terra e das nossas gentes. Focados, primeiramente na manutenção da saúde de todos, mas também no bem-estar social e económico do nosso concelho, na preservação do tecido empresarial, no apoio ao comércio, às famílias, às associações e às IPSS».

 

Luís Filipe Santos: «Liberdade implica responsabilidade»

O deputado do CDS/PP na Assembleia Municipal, Luís Filipe Santos, que afirmou «a liberdade passou a ter um novo significado», acreditando que «as nossas comunidades se vão unir mais, pois percebemos que somos interdependentes, que precisamos uns dos outros, quer sejam família, amigos, colegas de trabalho ou simples conhecidos. Somos verdadeiramente parte de uma engrenagem».

Luís Filipe Santos deixou também uma «palavra de louvor, agradecimento e homenagem, às IPSS, empresários, profissionais e voluntários da área saúde, forças de segurança e a todos aqueles que permitem que quem está em confinamento não lhe falte nada, o padeiro, os restaurantes, os distribuidores, o carteiro, os funcionários dos supermercados assim como tantos e tantos outros que arriscam as suas vidas para nosso conforto, alicerçada num sentimento de esperança».

O deputado do CDS/PP referiu ainda que «hoje, mais do que nunca, entendemos que a liberdade implica responsabilidade». Afirmando que todos são necessários, Luís Filipe Santos terminou apelando aos «valores da generosidade, compaixão, o interesse genuíno e a preocupação no bem-estar dos outros».

 

Nuno Lima Fernandes: Sejamos todos um ‘bom exemplo’

O encerramento da mensagem de Abril coube ao Presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Poiares, Nuno Lima Fernandes, que destacou o facto de «sermos um povo solidário», apelando a que «todos, juntamente com as associações e Autarquia, recorramos às nossas valências para melhorarmos o futuro».

Afirmando que «o exemplo, é também um comportamento que contagia», apelou a que «sejamos todos um “bom exemplo”», Nuno Lima Fernandes, reafirmou a importância de, nesta «Revolução dos Cravos, sermos «fraternos, e transmitirmos às gerações mais novas os valores conquistados, especialmente nesta altura, em que muita gente se diz ‘privada de liberdade’».

O Presidente da Assembleia Municipal concluiu, relembrando «a crescente dinâmica cultural, desportiva e social, que o nosso Concelho vinha a desenvolver através de eventos frequentes em diversas áreas». Apesar de neste momento estar em ‘pausa’, fruto da realidade com que nos deparamos, Nuno Lima Fernandes lançou o repto para que «saibamos todos juntos contribuir para a vitalidade e afirmação de Vila Nova de Poiares».